Pâncreas
O pâncreas é tanto uma glândula exócrina, que produz sucos digestivos, quanto uma glândula endócrina, que produz hormônios.
O pâncreas, situado na parede posterior do corpo, sob o peritônio, tem quatro regiões: o processo uncinado, a cabeça, o corpo e a cauda. Esta glândula mede cerca de 25 cm de comprimento, 5 cm de largura e 1 a 2 cm de espessura, e pesa aproximadamente 150 g. Sua delicada cápsula de tecido conjuntivo forma septos, que subdividem a glândula em lóbulos. O suprimento vascular e nervoso do pâncreas, assim como o sistema de ductos, percorre estes compartimentos de tecido conjuntivo. O pâncreas produz secreções exócrinas e endócrinas. Os componentes endócrinos do pâncreas, as ilhotas de Langerhans, estão dispersos entre os ácinos secretores exócrinos.
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Pâncreas exócrino
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Ver Curso Completo e PreçosO pâncreas exócrino é uma glândula acinosa composta que produz diariamente 1.200 mL de fluido rico em bicarbonato contendo proenzimas digestivas. Cerca de 40 a 50 células formam um ácino seroso arredondado ou oval, cujo lúmen é ocupado por três ou quatro células centroacinosas, que representam o início do sistema de ductos do pâncreas. A presença de células centroacinosas no centro do ácino é uma característica distintitiva desta glândula.
Porções secretoras e ductos
As células acinosas do pâncreas têm receptores para colecistocinina e acetilcolina, enquanto as células centroacinosas e os ductos intercalares possuem receptores para secretina e, talvez, para acetilcolina. Cada célula acinosa tem o formato de uma pirâmide truncada, com sua base apoiada sobre a lâmina basal, separando as células acinosas do compartimento de tecido conjuntivo. O núcleo arredondado da célula é posicionado no citoplasma basal e circundado por citoplasma basófilo.
O citoplasma apical da célula, voltado para o lúmen do ácino, é preenchido por grânulos de secreção (grânulos de zimogênio) contendo proenzimas, cujo número diminui após uma refeição. A região do aparelho de Golgi, situada entre o núcleo e os grânulos de zimogênio, varia de tamanho e em relação inversa à concentração de grânulos de zimogênio.
As membranas plasmáticas de superfície basal das células acinosas têm receptores para o hormônio colecistoquinina e para o neurotransmissor acetilcolina, liberado por fibras nervosas parassimpáticas pós-ganglionares. O aparelho de Golgi é bem desenvolvido, mas varia de tamanho, sendo menor quando os grânulos de zimogênio são numerosos e maior após os grânulos liberarem seu conteúdo. Os grânulos de zimogênio podem liberar seu conteúdo individualmente, ou muitas vesículas secretoras podem se fundir umas às outras, formando um canal que parte do citoplasma apical para o lúmen do ácino.
O sistema de ductos do pâncreas inicia-se no centro de cada ácino, com o surgimento dos ductos intercalares, cujas porções iniciais são constituídas de células centroacinosas claras e cubóides baixas. As células centroacinosas e os ductos intercalares possuem receptores na sua membrana plasmática basal para o hormônio secretina e possivelmente para a acetilcolina, liberada pelas fibras parassimpáticas pós-ganglionares. Os ductos intercalares se unem uns aos outros para formarem os ductos intralobulares maiores, que em sua maioria convergem para formarem os ductos interlobulares. Esses ductos são envolvidos por uma quantidade considerável de tecido conjuntivo e liberam seu conteúdo no ducto pancreático principal, que se une ao ducto biliar comum antes de abrir-se no duodeno na papila de Vater.
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Pâncreas endócrino
O pâncreas endócrino é constituído de agregados esféricos de células, conhecidos como ilhotas de Langerhans, que estão dispersos entre os ácinos serosos. Cada ilhota de Langerhans é um conglomerado esférico, ricamente vascularizado, de aproximadamente 3.000 células. Cerca de um milhão de ilhotas distribuídas por todo o pâncreas constituem o pâncreas endócrino. Um número um pouco maior de ilhotas está presente na cauda, quando comparada às demais regiões. Cada ilhota é cercada por fibras reticulares, que também penetram na ilhota envolvendo a rede de capilares que a permeia.
Células presentes nas ilhotas de Langerhans
Cinco tipos celulares constituem o parênquima de cada ilhota de Langerhans: células beta (β), células alfa (α), células delta (δ) (células D e D1), células PP (produtoras do polipeptídeo pancreático) e células G (produtoras de gastrina). Essas células não podem ser diferenciadas umas das outras por métodos histológicos de rotina, mas procedimentos imunocitoquímicos permitem que elas sejam distinguidas. De outro modo, essas células não apresentam aspectos morfológicos notáveis, mas lembram células especializadas em síntese de proteínas.
- Células alfa (A): secretam glucagon. Em humanos, estas células possuem grânulos de forma regular contendo um centro denso cercado por uma região clara sob a membrana.
- Células beta (B): secretam insulina e amilina. As células B possuem grânulos irregulares com um centro formado de cristais irregulares de insulina complexados com zinco.
- Células delta (D): sintetizam somatostatina.
- Células PP (F): contém um polipeptídeo pancreático.
OBS: CORRELAÇÃO CLÍNICA
O diabetes mellitus é uma doença metabólica hiperglicêmica resultante da (1) ausência de produção de insulina pelas células β das ilhotas de Langerhans ou (2) receptores para a insulina defeituosos nas células-alvo. Há duas formas principais do diabetes mellitus, o tipo 1 e o tipo 2. A incidência do tipo 2 é cerca de cinco a seis vezes maior que a do tipo 1. Se descontrolados, os dois tipos de diabetes podem apresentar seqüelas debilitantes, incluindo doenças circulatórias, falência renal, cegueira, gangrena, derrames e infartos do miocárdio. O resultado laboratorial mais significativo indicativo do diabetes é representado por níveis elevados de glicose do sangue após jejum noturno.
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Bibliografia
Tratado de Histologia em cores – 3º edição
Embriologia do Pâncreas e Malformações Clínicas
O desenvolvimento do pâncreas inicia-se na 5ª semana de gestação a partir do revestimento endodérmico do duodeno. Ele se origina de dois brotos: o broto pancreático dorsal, que surge primeiro, e o broto pancreático ventral, localizado próximo à entrada do ducto colédoco. Com a rotação do duodeno, o broto ventral migra posteriormente para se fundir ao dorsal.
O broto ventral dá origem ao processo uncinado e à parte inferior da cabeça do pâncreas, enquanto o broto dorsal forma o restante do órgão (corpo, cauda e parte superior da cabeça). Durante essa fusão, os sistemas de ductos se anastomosam. O ducto de Wirsung (principal) é formado pela parte distal do ducto dorsal e todo o ducto ventral.
Falhas nesse processo resultam em malformações de alta relevância clínica. O Pâncreas Divisum ocorre quando os brotos não se fundem, mantendo drenagens independentes; é a anomalia congênita mais comum. Já o Pâncreas Anular ocorre quando o broto ventral circunda o duodeno, podendo causar obstrução intestinal neonatal, um tema frequente em questões de cirurgia pediátrica.
Diagnóstico Diferencial Histológico: Pâncreas vs. Glândula Parótida
Em lâminas de histologia, o pâncreas exócrino é frequentemente confundido com a glândula parótida, pois ambos apresentam ácinos serosos puros. No entanto, existem marcadores histológicos específicos que permitem a diferenciação precisa, essenciais para provas práticas de patologia e morfologia.
A principal característica distintiva do pâncreas é a presença de células centroacinosas. Estas células representam o início do ducto intercalar e localizam-se no lúmen do ácino, aparecendo como núcleos claros no centro da unidade secretora. Além disso, a presença das Ilhotas de Langerhans (componente endócrino) é exclusiva do pâncreas.
| Característica | Pâncreas Exócrino | Glândula Parótida |
|---|---|---|
| Células Centroacinosas | Presentes (Patognomônico) | Ausentes |
| Ilhotas de Langerhans | Presentes | Ausentes |
| Ductos Estriados | Ausentes | Presentes e proeminentes |
| Células Mioepiteliais | Ausentes | Presentes nos ácinos |
| Adipócitos | Raros (exceto em idosos) | Comuns com o avançar da idade |
Fisiopatologia Aplicada: Pancreatite, Fibrose Cística e Neoplasias
A compreensão da histologia do pâncreas é fundamental para entender a gênese de doenças graves. Na pancreatite aguda, ocorre a ativação intrapancreática prematura do tripsinogênio em tripsina. Esse erro enzimático leva à autodigestão do parênquima, necrose gordurosa e resposta inflamatória sistêmica exacerbada.
Na Fibrose Cística, a mutação no gene CFTR afeta as células ductais pancreáticas. O canal de cloreto defeituoso impede a secreção adequada de bicarbonato e água, tornando o suco pancreático extremamente viscoso. Isso causa a obstrução dos ductos, levando à fibrose progressiva e insuficiência exócrina, o que exige a reposição de enzimas para a absorção de nutrientes.
Quanto às neoplasias, o adenocarcinoma ductal é o tipo mais comum, originando-se do epitélio dos ductos. Por outro lado, os tumores neuroendócrinos (NETs) derivam das células das ilhotas. O Insulinoma manifesta-se com a tríade de Whipple (hipoglicemia, sintomas adrenérgicos e melhora com glicose), enquanto o Gastrinoma (Síndrome de Zollinger-Ellison) causa úlceras pépticas graves por hipersecreção ácida.
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O Pâncreas nas Provas de Residência Médica
Para o aluno que busca saber como passar na residência médica, o pâncreas deve ser estudado sob a ótica da fisiologia integrada. As bancas costumam cobrar os receptores hormonais: a Secretina estimula as células ductais a secretarem bicarbonato, enquanto a Colecistocinina (CCK) estimula os ácinos a liberarem enzimas.
Lembre-se dos "buzzwords" para a prova: células centroacinosas são a marca registrada do pâncreas. Em questões de anatomia patológica, a localização das ilhotas é citada como mais densa na cauda do órgão. Entender essa distribuição ajuda a compreender por que pancreatectomias distais têm maior risco de induzir diabetes iatrogênico.
Consulte sempre um cronograma de estudos para residência médica para revisar a correlação entre a histologia e as condutas cirúrgicas nas pancreatites crônicas, onde a perda da arquitetura acinar e a fibrose são os achados dominantes.