Representação visual do ciclo de vida da bactéria Chlamydia, com foco na transição entre corpúsculo elementar e corpúsculo reticular dentro de uma célula hospedeira.
Representação visual do ciclo de vida da bactéria Chlamydia, com foco na transição entre corpúsculo elementar e corpúsculo reticular dentro de uma célula hospedeira.

Conceito

Membros da família Chlamydiaceae estão entre os patógenos mais frequentes para o ser humano. Além de frequentes, estão associadas a uma variada gama de infecções importantes, tais como tracoma, uretrite, pneumonia, linfogranuloma venéreo, psitacose e até mesmo aterosclerose. A participação das clamídias como causa deste último processo ainda não foi confirmada. São parasitas intracelulares obrigatórios de vertebrados e de algumas espécies de artrópodes. Possuem um peculiar ciclo de desenvolvimento bifásico, apresentando duas formas celulares, o corpúsculo elementar, metabolicamente inativo (forma infecciosa extracelular) e o corpúsculo reticular (forma intracelular ou vegetativa). Essas bactérias são imóveis e Gram-negativas.

Classificação

Somente quatro espécies, todas do gênero Chlamydia, a saber C. trachomatis, C. psittaci, C. pneumoniae e C. pecorum, historicamente pertenciam à família Chlamydiaceae. Recente análise, contudo, da sequência 16S e 23S do gene r-RNA indicou que uma nova taxonomia deveria ser adotada. Foi proposto que a família Chlamydaceae, pertencente à ordem Chlamydales, fosse constituída por dois gêneros: Chlamydia (C. trachomatis, C. muridarum e C. suis) e Chlamydophila (C. pneumoniae, C. psittaci, C. abortus, C. caviae e C. felis). Enquanto as espécies de Chlamydia parecem infectar somente alguns mamíferos, como roedores, suínos e seres humanos, as espécies do gênero Chlamydophila têm uma variedade maior de hospedeiros, como anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos. Os dois gêneros encerram espécies patogênicas importantes para o ser humano. C. trachomatis é subdividida em três biótipos. Tracoma e LGV (linfogranuloma venéreo) e pneumonias em camundongos. O biótipo Tracoma contém 13 sorotipos. A divisão em sorotipos tem por base uma porina trimérica denominada Major Outer Membrane Protein (MOMP).

Somente quatro espécies, todas do gênero Chlamydia, a saber C. trachomatis, C. psittaci, C. pneumoniae e C. pecorum, historicamente pertenciam à família Chlamydiaceae. Recente análise, contudo, da sequência 16S e 23S do gene r-RNA indicou que uma nova taxonomia deveria ser adotada. Foi proposto que a família Chlamydaceae, pertencente à ordem Chlamydales, fosse constituída por dois gêneros: Chlamydia (C. trachomatis, C. muridarum e C. suis) e Chlamydophila (C. pneumoniae, C. psittaci, C. abortus, C. caviae e C. felis). Enquanto as espécies de Chlamydia parecem infectar somente alguns mamíferos, como roedores, suínos e seres humanos, as espécies do gênero Chlamydophila têm uma variedade maior de hospedeiros, como anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos. Os dois gêneros encerram espécies patogênicas importantes para o ser humano. C. trachomatis é subdividida em três biótipos. Tracoma e LGV (linfogranuloma venéreo) e pneumonias em camundongos. O biótipo Tracoma contém 13 sorotipos. A divisão em sorotipos tem por base uma porina trimérica denominada Major Outer Membrane Protein (MOMP).

Aspectos Estruturais e Fisiológicos

As clamídias são bactérias diminutas (0,2 a 0,8 µm de diâmetro) que transportam um cromossomo de aproximadamente 1.000 Kb, capaz de codificar em torno de 600 proteínas. As suas células possuem membranas externa e interna, a primeira sendo semelhante a das bactérias Gram negativas. Falta na célula clamidial a camada de peptideoglicano, embora os genes que a codificam estejam presentes no cromossomo da bactéria. O ciclo bifásico de crescimento é comum a todas as clamídias. As clamídias não crescem em meios de cultura artificiais, sendo assim bactérias intracelulares obrigatórias. A principal razão para isto é a incapacidade de gerar ATP. Como dependem do ATP da célula do hospedeiro, são consideradas parasitas da energia celular.

Fatores de Virulência, Ciclo Celular e
Patogênese

Os fatores de virulência das clamídias estão ligados ao ciclo de desenvolvimento celular destas bactérias, que dividiremos em três fases: internalização, proliferação/ diferenciação e saída. A internalização das clamídias pelas células do organismo provavelmente ocorre por diferentes mecanismos, mas a forma infecciosa é sempre o corpúsculo elementar. A fase de proliferação/diferenciação ocorre no fagossoma que se forma após a internalização da clamídia. O fagossoma formado não fusiona com o lisossoma e assim a clamídia fica protegida da ação letal dos componentes tóxicos deste compartimento. Quando começa a residir no fagossoma o corpúsculo elementar se transforma em corpúsculo reticular e este, ao proliferar, em corpúsculo elementar. Os mecanismos de diferenciação do corpúsculo elementar em corpúsculo reticular e vice-versa não são conhecidos com precisão. Após algumas horas de proliferação, a célula hospedeira se rompe, os corpúsculos elementares são lançados no espaço extracelular e tem inicio outro ciclo celular. Em cultura, o ciclo da C. trachomatis é menor (48 horas) quando comparado ao da C. pneumoniae (72 horas) e requer menos tempo para sua propagação.

A proliferação em macrófagos ou em outras células depende da espécie. Os macrófagos parecem ser as principais células-alvo para C. psittaci e para o biótipo LGV. Para C. pneumoniae e para o biótipo Tracoma as principais célulasalvo são as do epitélio colunar das membranas mucosas. Existe estreita correlação entre tropismo celular e tipo de reação inflamatória. O biótipo LGV e C. psittaci, que infectam macrófagos, provocam inflamação granulomatosa, enquanto o biótipo Tracoma e a espécie C. pneumoniae, que infectam células epiteliais, produzem exsudato inflamatório rico em neutrófilos na fase aguda da infecção. Nas fases mais tardias, ocorre infiltração mononuclear da submucosa com formação de folículos linfoides. As infecções por clamídia são acompanhadas de resposta imune humoral e celular com a produção de anticorpos contra o LPS e a proteína MOMP e envolvimento de células CD4 e CD8. A ativação das células Th1 apresenta boa correlação com o desenvolvimento de imunidade e a ativação de Th2 com o desenvolvimento de infecção crônica

Diagnóstico

O diagnóstico das infecções por clamídias pode ser feito pelo exame citológico direto, isolamento da bactéria em cultura de células apropriadas ou por outros métodos, testes sorológicos clássicos e imunofluorescência e métodos moleculares. Entretanto, em rotina, alguns métodos são mais usados do que outros, dependendo em parte do tipo de infecção. A pesquisa de DNA por técnicas de amplificação (PCR ou outra) tem se mostrado bastante sensível e específica e sem dúvida deve substituir os demais métodos sempre que puder ser usada. Outros métodos rápidos que podem ser usados têm por base a pesquisa de antígenos por diferentes técnicas imunológicas como imunofluorescência e ELISA. Para o diagnóstico da psitacose, o método mais frequentemente usado tem sido a pesquisa de anticorpos séricos pela técnica de fixação do complemento.

Epidemiologia

As infecções causadas pela C. trachomatis, biotipo Tracoma é uma das principais causas de cegueira em regiões subdesenvolvidas de muitos países. Por outro lado, a uretrite é a doença venérea mais comum atualmente. Muitos estudos mostram que as infecções pulmonares pela C. pneumoniae são também bastante frequentes, o que estaria de acordo com a grande frequência das doenças coronarianas. O reservatório de C. trachomatis e de C. pneumoniae é o próprio homem. O reservatório de C. psittaci é representado pelos pássaros e menos frequentemente por animais domésticos e pelo homem.

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